domingo

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Dos links fecundos


Hilda Hilst - Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura - Foto por Adriana Paiva

Casa das Rosas : 'Altar' à Hilda Hilst
Foto: Arquivo - Adriana Paiva


Correria enlouquecida e um simpático convite, enfim, não me pôde fazer presente, ontem à tarde, aos Desconcertos da Paulista (evento organizado pelo escritor Claudinei Vieira, na Casa das Rosas) .
Daí penso que para menção aos bons (vasta acepção) tarde demais é tempo que não existe .
E uma deixa conduz a outra, a outra, a La O(u)tra .
Viver e fazer links . É também motivada por esse mister de Maria Alzira que me ponho a escrever este post .
Ocorre-me, ao ler ali e acolá essas palavras, o dom que alguns têm de fazer o que os encontros fortuitos não puderam . Vislumbrar elos, fazer a ponte, unir . Condão tanto de juntar (em termos amorosos) pessoas que não se achariam de outra forma, quanto de ajudar a dar corpo àqueles projetos que não viriam à luz, não fosse por esse esforço de colocar no mesmo barco os co-laboradores certos .
E porque uma deixa leva a outra (a outra, a outra ...), arremato este meu post com excertos do relato de um encontro de Maria Alzira Brum Lemos com Hilda Hilst :

" (...) 2 . Em 1997, o Eder Chiodetto me convidou para acompanhá-lo numa visita a Hilda Hilst, a quem ia entrevistar e fotografar para o seu livro O lugar do escritor. Passamos um dia na chácara de Hilda, a "Casa do Sol", em Campinas, onde ela vivia com mais de 50 cães. A escritora emborcou seguidas taças de vinho de Porto e falou de velhice e da isquemia, dos críticos que a chamaram de “velha pervertida” e da Prefeitura a quem devia décadas de IPTU, do seu pai, da sua juventude, de anjos. Disse que nunca morreria, que seria levada pelos Ets, já estava tudo combinado com eles, que a visitavam na chácara. Mostrou-nos um velho jornal espírita no qual uma desbotada ilustração representava uma espécie de paraíso sideral: "logo vou estar lá." Mas todos os assuntos eram pautados, atravessados e definidos por sua entrega radical à criação: "Eu me fechei nesta casa aos 33 anos para criar uma obra literária”, repetia. Eu tinha lido pouca coisa da Hilda e na despedida ela me deu exemplares de suas obras autografados e dedicados: À Alzira, Amor. Da Hilda 1997. Não a tinha visto antes, não voltei a vê-la depois, mas ela me legou a coisa mais valiosa que tinha.

3. Na parede da sala da autora de A Balada de Alzira havia um relógio com os ponteiros quebrados no qual se lia "É mais tarde do que supões". Hilda contou que tinha sido presente de uma amiga que o achara no lixo. O Eder fotografou o relógio e no final de 2006 me deu uma cópia da foto. Coloquei-a na minha sala, perto do computador. Seus ponteiros destrambelhados falam de um perfume que nunca mais, de uma carícia no vazio, da ânsia da criação, de alguma coisa afobada e urgente, disto que irremediavelmente somos: tempo ."
(Íntegra do texto aqui)
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Maria Alzira Brum Lemos é (entre outras) jornalista, doutora em Comunicação e Semiótica e editora da Garamond. Seu livro solo : "O Doutor e o Jagunço: Ciência, cultura e mestiçagem em Os Sertões" (Ed. Arte&Ciência).

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Ainda interseções

Mais uma para incluir nessa categoria de acontecimentos que nomeio "das surpreendentes interseções humanas". Há algumas semanas, o Edilson Pantoja, depois de uma escala no Periplus, foi encontrar-me lá no Orkut . E o que o trouxe aqui ? Ambos fomos alunos em História da Filosofia da professora Ângela Maroja, na Universidade Federal do Pará (UFPA) . Detalhe : entre essas nossas experiências acadêmicas há um hiato de quase dez anos .

Faltou contar : Pouco depois, soube, por lá mesmo, que Edilson já fazia parte do círculo de contatos de Maria Alzira, que, por sua vez, fazia parte do meu .

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Leia também : "Bendita Aldeota"






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quarta-feira

"Enthousiasmós"


E por falar em Belém :

Detalhe do programa de História da Filosofia 1 - UFPA .  Aluna Adriana Paiva -  Turma 2-1986


Ângela Maroja ( Doutora em filosofia pela Paris IV , Sorbonne ) , se você navega por estas plagas , entre em contato >>@
Fui sua aluna em " História da Filosofia I " ( UFPA - segundo semestre de 1986 ) .
Você , provavelmente, deve se lembrar da adolescente tímida que , de uma aula para outra , tornou-se a aluna polemista e mais aplicada da classe . Não à toa , creio , fui eleita para ler , diante da turma , considerável parte dos textos indicados na bibliografia da disciplina :-)

P.S. : (Gostaria que soubesse : incluo-a no rol de ' meus grandes mestres ') .

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Acima , detalhe do programa da cadeira "História da Filosofia 1" - Centro de Filosofia e Metodologia / UFPA - 2 º sem. 1986 .
O curso , dividido em cinco unidades , abordava , entre outros tópicos : "Os Pré-Socráticos" , "Escola de Alexandria e Plotino" , " A Síntese Escolástica" ( São Tomás de Aquino ) , "Filosofia do Renascimento" , " Empirismo inglês " , " Criticismo " ( Kant ) , " Positivismo " , "Fenomenologia" ( Husserl ) , fechando com os temas "Filosofia Contemporânea" e "Filosofia no Brasil" .



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sábado








Fukumi é outra viajante contumaz. Conheci-a através de minha irmã, quando morei em Belém. Ela e a Cris estudavam na mesma classe, no " Colégio Marista N. Sra. de Nazaré " .

Filha de diplomata japonês, a Fuki ( apelido dado a ela pela Cris ) já rodou o planeta. Mais por iniciativa própria do que, exatamente, por prerrogativas ligadas à profissão do pai . Morou no Japão, nos EUA e no Canadá, tendo, entre uma parada e outra, mochilado um bocado mundo afora.





Fukumi é uma excelente interlocutora sobre assuntos ligados à cultura japonesa . O fato de ser nissei ( descendente de japoneses em segunda geração ) e mulher torna o seu discurso ainda mais impressionante . A agudeza com que critica a cultura no bojo da qual se deu a maior parte de sua formação é raríssima entre mulheres japonesas -- mesmo entre as descendentes .

Saindo de casa para conhecer o mundo, ali , pelo início dos anos 90, Fukumi rompeu, efetivamente, com a sina de passividade que ronda, ainda hoje , as mulheres da pátria de seus pais .






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Escolhas

Sou carioca. Moro em São Paulo. Tirei meu título de eleitor em Belém do Pará. Voto, atualmente, em Brasília.

Sob incontáveis pontos-de-vista, mas sobretudo sob a ótica e a vivência de quem já morou em Brasília cinco vezes -- e de quem ajudou a eleger Cristovam Buarque governador, em 1994 --, rechaço, veementemente, a candidatura Roriz.





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