quinta-feira



As fabulosas heresias de Pedro Meyer



Todos somos pombas - Foto de Pedro Meyer

Pedro Meyer :"Todos somos palomas"



O fotógrafo mexicano Pedro Meyer, presidente e fundador do 'Consejo Mexicano de Fotografía' -- muito conhecido dos fotógrafos das bandas de cá, por ter sido o criador do site ZoneZero, prestes a completar 15 anos de existência -- , esteve, nos últimos cinco anos, completamente absorvido pelo projeto 'Herejías'. Trata-se de uma retrospectiva de sua obra, isto é, uma mega-produção, que inclui exposições fotográficas em vários países e o lançamento do livro "Herejías - Pedro Meyer" .
As fotos do projeto estarão, a partir do dia 4 de outubro, em 64 museus ao redor do mundo (entre eles, dois brasileiros) e em 23 galerias virtuais . A seleção do material a ser exibido foi feita por vinte curadores de diferentes países; entre eles, Vicki Goldberg, ex-crítica de fotografía do The New York Times e autora de vários livros sobre o tema e Mark Haworth-Booth , professor de fotografía da University of the Arts, em Londres, e pesquisador honorário do museu londrino Victoria & Albert, onde, quando curador, organizou exposições de fotógrafos de renome, como Ansel Adams e Henri Cartier-Bresson.


O herético - Foto de Pedro Meyer, feita em 1975, é capa do livro 'Herejías'


Uma das propostas de Meyer com suas "Herejías" é discutir o conceito de exibição fotográfica na atualidade. Ele interroga :"O que significa, atualmente, uma exposição fotográfica ? O que significará no futuro?"
Em um momento em que instituições de arte no mundo inteiro lidam com restrições econômicas e têm seu status reavaliado, Meyer propõe o que ele chama de um novo "paradigma herético para a exibição fotográfica".
Ele vislumbra uma nova realidade em que curadores e artistas estarão em constante colaboração criativa . Nesse futuro (não muito distante) enxergado por Pedro Meyer, também haverá fomento à criação de programas educativos que chamem a atenção das gerações mais novas para a fotografia e não faltarão oportunidades para incremento de acervo fotográfico por parte das instituições artísticas .

Trajetória - Pedro Meyer, que começou a fotografar na década de 1940, construiu uma sólida carreira como fotógrafo documental. A partir dos anos 90, com o avanço das tecnologias digitais, Meyer redimensionou seu trabalho como documentarista, valendo-se de interferências para criar, digitalmente, "novas realidades", propondo, assim, uma reflexão sobre os limites entre verdade e ficção.

ZoneZero - O portal fotográfico, lançado em 1993, reúne fotos de mais de mil fotógrafos de várias partes do mundo .


Herejías no Brasil - Aqui, a mostra poderá ser vista no Espaço Cultural Contemporâneo - Ecco (Brasília), a partir de 7 de outubro , e no MAC (São Paulo) , a partir do dia 9 desse mesmo mês.


Links relacionados:Pedro Meyer - Ensaios
Fundação Pedro Meyer
Facebook - Projeto 'Herejías'
Leia também : Matéria sobre o projeto 'Por que eu fotografo?"



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sexta-feira

"Destinos da sexualidade na era tecnológica" (Excertos)

Poucos têm se dado ao trabalho de pesquisar as conexões entre sexualidade e os novos meios de comunicação eletrônicos. Há um abismo entre os mais recentes desenvolvimentos da psicanálise e os últimos artefatos que chegam ao mercado, derivados da computadorização ou constituintes do novo habitat do homem telemático (...)

Vivenciamos, através das novas criações da realidade virtual, a possibilidade de romance, sexo, voyeurismo eletrônico, de todas as formas de contato "físico" distintas das que a humanindade conheceu em toda sua existência. Isso levanta problemas absolutamente novos nas relações humanas.

(...) O que incomoda, não obstante, é o uso social e os mundos que se descortinam com essas novas possibilidades eletrônicas. Sabe-se que a sociedade de consumo, modelo disseminado no pós-guerra, gerou formas diversas de angústia. Angústia de homens em sociedade de massas que se situavam absolutamente sós no meio da multidão. Sós em massa . A angústia acabou por se consolidar como reservatório de onde a indústria da publicidade recolhia seus motivos para os apelos de consumo. A angústia gerou, como se sabe, a "consciência feliz" de Marcuse. A tecnologia talvez esteja potencializando tudo isso, já que põe à disposição dos homens, em qualquer parte do mundo, possibilidades infinitas de pseudo-satisfação (...)

Parece que a indústria eletrônica nos separa ainda mais da idéia de satisfação, ampliando vertiginosamente o círculo vicioso do desejo, da lacaniana inalcançável realização, que já era difícil nos tempos de sexo realizado com dois corpos presentes, que se tocavam, se acariciavam, se beijavam e se penetravam.

Todo o mundo eletrônico é essencialmente mental, quintessência da realização mentalizada e puramente imaginária da sexualidade (...) Que misteriosos seres, desconhecidos e novos desejos constituirão o mapa da sexualidade eternamente não resolvidada nova humanidade ?



Fonte: Revista 'Atrator Estranho' - Núm. 16 / Coletivo NTC - Núcleo de Estudos e Pesquisas em Novas Tecnologias, Comunicação e Cultura - USP




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