quinta-feira

Cinema - UnB : " Aprendendo enquadramento com Will Eisner "...



Fotografia e iluminação - Professor David Pennington / Faculdade de Cinema da UnB


... E , naturalmente , com o David Pennington ( de quem também fui aluna na disciplina ' O Som do Filme ' ) .


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BTW , falando na Usha :


Foi na turma de " Fotografia e Iluminação I " ( 2 º semestre de 89 ) , que nos conhecemos . Ela estava concluindo o curso de jornalismo e encontrava-se às vésperas de ir para a França , fazer pós-graduação em fotografia --- na " Paris VIII " / Sorbonne .

Se tivesse que listar os motivos pelos quais prossegui fotografando , depois daquele curso na "Escola de Artes Visuais do Parque Lage" , diria que a convivência com a Usha está entre eles.


Foto por Usha Velasco / Ladrões de Alma - DF


Reiterando e resumindo o que já andei escrevendo por aqui : Aos 17 anos , ainda indefinida em termos vocacionais :-), passei em dois vestibulares -- Ciências Sociais ( PUC ) e Psicologia. Dado meu "admirável" desempenho nesses concursos , ganhei de presente de meu pai uma "Canon" semi-profissional . E de meus avós , um laboratório fotográfico preto-e-branco. Decidi matricular-me apenas na PUC . Não conseguia enxergar-me como psicóloga -- como também não vislumbrava-me jornalista , carreira que, ainda no segundo grau , chegara a aventar .
Julguei que realizaria-me como antropóloga . Conduzi o curso , já na UnB , até o terceiro ano . Vindo a trocá-lo por Cinema , à iminência de me formar . Imaginem o revertério em casa . Antropologia já não era uma carreira que entusiasmasse meus pais . Cinema, então .

É nesse ponto que entra a Usha . Além de termos cursado algumas disciplinas em comum, ela integrava o então cultuadíssimo 'Ladrões de Alma' --- grupo de fotógrafos do qual também fazia parte a Susana Dobal ( de quem fui aluna em 'Introd. á Fotog'. ) . Graças à convivência com a Usha -- e com uma galera formada por professores, fotógrafos e cineastas ligados à UnB , a fotografia acabou me arrebatando de vez.


Faculdade de Cinema da Universidade de Brasília 1990 . Foto : Adriana Paiva


Tínha-se na faculdade de comunicação da Universidade de Brasília , comparativamente a outras instituições da área , um aprendizado bastante acima da média nacional . Independente de nos formarmos em jornalismo , cinema ou publicidade , eram-nos dados subsídios para sairmos dali aptos a redigir, proceder à análise crítica de situações , avaliar a adequação de imagens e textos , bem como sabendo fotografar , coordenar uma reportagem para TV ou utilizar uma ilha de edição . Acredito que esse investimento na formação abrangente do aluno de comunicação -- buscando-se equilibrar aspectos teóricos e práticos -- não ocorra mais nas universidades brasileiras . Falo com a experiência de quem passou por , pelo menos , três renomadas instituições de ensino superior .

E o espaço destinado à fotografia jornalística dentro da academia ? Excetuadas as louváveis experiências levadas à cabo pela ECA ( USP ) , pela Unicamp e pela própria UnB , o status conferido à "disciplina" , dentro das universidades , prossegue desanimador . Enquanto isso, lá fora, fotojornalistas formam-se nas mesmas universidades de onde saem seus futuros colegas de redação , os repórteres de texto . E tão importante quanto : ingressam no mercado com status ( e potencial de ganho ) similar .

Ouso dizer que 90% daqueles preparados e talentosos fotógrafos , com quem estudei e convivi , não ingressaram no mercado fotojornalístico local . Tenho conhecimento de que alguns migraram para o telejornalismo, outros tantos abdicaram , definitivamente, da fotografia e foram trabalhar como repórteres de texto, e houve , até, quem virasse cineasta ( ' à vera ' :-) .

A situação para fotógrafos (jornalistas), em Brasília -- refiro-me aos ' pensantes ' e ' bem-formados ' -- , é tão alentadora como a de certas localidades do interior do país . Nessas cidadezinhas ( passei por algumas ), o "repórter-faz-tudo" de um dos três "periódicos" locais engorda o orçamento registrando batizados e "quermesses" nas horas vagas .

Quem conheceu os " párias " e " marajás " da fotografia brasiliense sabe que o passado acadêmico deles é tão ilustrado quanto o daquele senhor que, por ora, ainda ocupa o cargo de governador do DF .



Adriana Paiva

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